sábado, 14 de Novembro de 2009

Bater Em Ferro Frio.

Marcus Tullius, há mais de 2000 anos.
(via blasfémias)

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Uma Morabeza Muito Cara.

De regresso deparo de novo com uma imensa balbúrdia, a mesma que em 1995 mas agora mais aparatosa e dispendiosa, e a triste notícia de que algumas vidas se perderam ou se perdem. Anúncios, avisos, propaganda, outdoors , campanhas de limpeza, conferências, declarações, camiões numa correria desenfreada uns com entulhos e lixo outros com árvores abatidas sem dó nem piedade. Tudo serve de negócio no meio da confusão que pelo meio também enaltece a eficácia de muito voluntarismo e boa vontade.
Mas o que é espantoso é que ao primeiro sinal, ao primeiro caso, ao primeiro alerta nada se faz. Ou melhor, faz-se a tradicional declaração oficial: “não há motivo para alarme, a situação está sob controlo.” que traduzido significa: “o vírus foi detido para identificação e neste momento aguarda julgamento em liberdade”.
Foi assim com a Cólera, com o H1N1 que por sorte nossa não gosta de calor, e agora a Dengue. Primeiro o vírus instala-se com calma, agradece a morabeza e depois propaga-se quando lhe apetece.
Todos sabemos que é impossível deter a propagação de vírus neste mundo cada vez mais pequeno, mas a primeira pessoa infectada deve ser tomada como uma declaração de guerra sem pré-aviso e a guerra deve começar naquele exacto momento, ser total e o alerta bem audível para que se salvem todas as vidas e se minimize o impacto económico. Não sendo assim os vírus que no futuro hão-de visitar-nos, muito agradecerão a morabeza cabo-verdiana, ou melhor, ao Ministro de serviço.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Regresso Da Memória

(João Miguel)

domingo, 25 de Outubro de 2009

Já Volto.


sábado, 24 de Outubro de 2009

Sem Dúvida.

Mas, como ele próprio afirmou ontem no lançamento do livro, se dúvidas houver é bom que as haja para que não esmoreça a discussão e com ela o valor maior que é a liberdade de expressão.

Ano Judicial

Na abertura do Ano Judicial, também fomos chamados a prestar um pequeno serviço. Que nunca nos falte Liberdade, Democracia e Justiça. Bom ano novo!

sábado, 10 de Outubro de 2009

Excelente.

Já fazia falta uma 2ª Edição. Excelente iniciativa.

Combate À Pobreza?

Eu quero estar engado, mas parece-me que Cabo Verde aposta mais na pobreza do que no seu combate!

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Nem Tudo O Que Luze...

(Em África o que pesa mesmo é a pobreza.)

Há qualquer coisa de errado nesta euforia. Nem discuto se o troféu é o troféu ou uma réplica, tanto faz. Para quem se baba com a grandeza dos negócios da FIFA e da Coca-cola, dos seus perdidos amores pelos pobres, deve achá-lo mesmo genuíno. O que eu não compreendo é que o meu Presidente símbolo vivo da independência de uma cultura de dignidade, muito mais antiga do que o folclore dessas instituições privadas, sirva de moldura a estes espectáculos comerciais para deslumbrar a pobreza. Eu gosto de futebol e bebo coca-cola, mas não gosto de correr a trás de foguetes. Pedro Pires, por razões de honestidade e sincera humildade, também não. Mas, pelos vistos à falta de melhor gosto e menos provincianismo, a corte não dispensa estes números de circo.

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Queima-Bocas.

Malaguetas de Fontes Almeida, a única coisa que faz suar o Diabo.

sábado, 3 de Outubro de 2009

Poilão, Hoje.

Ao contrário do que têm noticiado os telejornais e demais declarações até com a presença do Embaixador Chinês, não é verdade que a barragem esteja quase cheia. Falta muito. Mesmo muito. Mesmo que chovesse outra vez o que choveu este ano a barragem não enchia. Daqui por diante, 10 cm a mais no nível de água corresponderá a uma quantidade de água incomparavelmente maior do que os últimos 10 cm. Não fosse o espaço a ocupar em forma de cone invertido. Mas enfim, tirando a propaganda política à obra eu também quero que a barragem encha. Mas não vai encher tão cedo. Compreende-se, não é a Natureza que vai a votos.


Talvez seja disparate meu, ou ignorância, mas não me parece normal que uma barragem tenha uma fissura por onde perde água

Foi um belo passeio. Por toda a parte muito milho. Que a benção se repita por muitos anos.


(clique nas fotografias para ampliar)




sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Salvar Vidas.

Por mero acaso encontrei no pátio de um serviço público uma poça com pouca água onde se agitavam aflitos estes girinos. Em redor muitas outras poças secas continham milhares de girinos mortos e ressequidos. Recolhi os que pude e muitos outros tiveram a morte como destino. Os ovos enterrados desde o ano passado eclodiram com as chuvas, mas as hipóteses de sobrevivência são quase nulas e daqui por muito poucos anos extinguir-se-ão desta área. O asfalto e a construção estão a ocupar rapidamente o lugar onde durante séculos viveram. Lembro-me do coaxar das rãs pelas noites quentes por esta altura em toda a zona da Fazenda no ano de 1990, isto é, ontem. A Praia cresceu contra tudo e contra todos: árvores, coqueiros, lençóis freáticos, rãs, aves e pessoas. Ninguém se importou ou sequer este foi alguma vez assunto de prosa ou púlpito para deputado da Nação. Que importância pode ter um charco com rãs comparado com uma torre de betão armado ou um asfalto? Nenhuma. E por não ter qualquer importância se destruirá toda a bela zona do Taiti, se destruiu a Praia Negra, se conspurca as ribeiras, se abatem árvores por toda a cidade, se despeja betão em terrenos agrícolas, se é tomado pelo pobre delírio de pensar que somos donos dos recursos naturais e das outras criaturas a quem achamos uma inútil piada.
Por este andar a nossa vez também chegará. Isolados de tudo quanto foram as nossas oportunidades de sobrevivência e bem-estar. A sorte destes girinos não dependeu da sua opção, mas a nossa sorte sempre esteve apenas nas nossas mãos. Talvez um dia a inteligência oriente o nosso destino e possamos de novo ouvir o coaxar das rãs numa noite estrelada. Entretanto estas vão morar na barragem do Poilão.

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Soma




Não discuto se sou feliz ou não.
Mas de uma coisa faço por lembrar-me sempre:
que nessa grande soma – a deles, que eu detesto –
de tantas e tantas parcelas, não sou
uma delas. Eu nunca fui contado
para a soma total. Esta alegria basta.

Constantin Cavafy
(1863-1933)

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Identificação

Camarão da Baía de Nª Senhora da Luz
"(...)Os camarões são pertencentes à espécie Farfantepenaeus notialis (Pérez Farfante, 1967) anteriormente conhecido como Penaeus notialis e cujo nome vulgar é southern pink shrimp (também conhecido como gamba-de-angola). Ocorre da Mauritânia a Angola e dos 3 aos 700 m de profundidade, por isso a sua presença em Cabo Verde não pode ser considerada invulgar. Se precisar de mais informação, estarei ao dispor.
Cumprimentos, Antonina"
(Inst. Nacional de Recursos BiológicosIPIMAR)

Obrigado Pedro Pousão.

sábado, 26 de Setembro de 2009

Vento

Vento sem manha no Porto Mosquito.

E O Poeta Morreu.

A Vida trata os poetas como qualquer um ser vivo. Nós não. Levem o corpo e deixem o poeta.

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Sabores

Cracas. Balanus perforatus (Bruguière). Relativamente abundante em Cabo Verde. Um grande sabor que se cola para sempre à memória de uma boa refeição.

Hoje

Santa Bárbara, luz divina.

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

A Reboque? Para Quê?





Finalmente o tema da aquacultura como mais uma possível actividade geradora de riqueza parece estar a ser apontada pelo governo como importante.
Não vejo com bons olhos, já escrevi, a introdução de espécies estranhas à biodiversidade autóctone do País, nem me parece inteligente andar a reboque do que toda a gente faz para o mercado internacional.
Como se sabe a aquacultura dirigida ao camarão e à lagosta requer um enorme investimento que só terá retorno com produções igualmente enormes. Apesar de Cabo Verde dispor de uma importante costa marítima, a maior parte da sua configuração não permite determinado tipo de aquacultura numa escala rentável.
Por outro lado não sei por que razão teremos que entrar na aquacultura por uma via megalómana. Por que razão tem de ser a lagosta e o camarão, animais que toda a gente faz no mundo e em proporções gigantescas. Por que razões terão que ser os chineses a “avaliarem” as potencialidades e não os nossos jovens biólogos a irem ver e aprender na China, no Brasil, na Tailândia, no Japão.
A aquacultura em Cabo Verde só terá importância se conduzir à proliferação de pequenas explorações criando centenas de pequenos produtores nas zonas ribeirinhas e pequenas indústrias de transformação a partir de espécies locais. Para isso é preciso mobilizar os nossos recursos humanos científicos por poucos que sejam.
Podemos ouvir, ver e ler, mas têm que ser os cabo-verdianos a conduzir e a definir a estratégia e os objectivos para o sector, sem complexos nem deslumbramentos sob pena deste ser mais um sector condenado a não dar certo e onde poucos, sempre os mesmos, tirarão proveito.



Balistes vetula (Linnaeus, 1758)
Um peixe por enquanto sem valor comercial, relativamente abundante nas nossas águas. Com uma carne magnífica e uma pele de muitas utilidades. Quem disse que esta não será uma excelente aposta para o País?