Vidas.
São vidas às quais pouca falta fazem os governos porque estes, claro, têm mais que fazer.
Imagens do livro AÇORES VISTOS DO CÉU , edição ARGUMENTUM, Lisboa 1998.
Fotógrafo, Filipe Jorge
Neste lugar, Fajã de Santo Cristo, ilha de S. Jorge, Açores, reproduz-se com sucesso uma amêijoa. Mas foi necessário uma importante intervenção por parte das autoridades e de ambientalistas locais para “salvar” esta espécie.
Neste sítio da autoria de Rogério F. Ferraz podemos encontrar a seguinte referência:
As amêijoas são moluscos que possuem uma concha dupla (bivalve) que envolve todo o organismo e o protege dos predadores. No arquipélago dos Açores ocorrem poucas espécies de amêijoas com interese pesqueiro. A única espécie comercialmente explorada é a vulgarmente conhecida por amêijoa-boa - Tapes decussatus -, que ocorre apenas na Ilha de São Jorge, mais precisamente na Lagoa da Fajã de Santo Cristo. Apesar de existir no continente (Algarve, Aveiro, etc.) em nenhum outro local atinge um tamanho tão grande como
Figura 7: Ameijoas apanhadas na Lagoa da Fajã de Santo Cristo (Ilha de São Jorge). Foto de: RS Santos © ImagDOP.
As amêijoas alimentam-se filtrando a água através das brânquias e retendo as partículas alimentares que se encontram em suspensão na água. Como vivem geralmente enterradas, necessitam de ter um sifão que atravesse o sedimento. A concha das amêijoas é bastante robusta e tem uma cor acastanhada, com umas bandas mais escuras. Os sexos estão separados e não é possível identificar cada um deles externamente. A reprodução ocorre no Verão, dando-se a fecundação na água livre, logo após a libertação dos óvulos e espermatozóides.
A exploração deste recurso é regulamentada pelas portarias n.º 63/89 (29 de Agosto) e n.º 23/92 (14 de Maio). As medidas adoptadas pelas mesmas são:
No início deste ano enviámos aos lideres dos grupos parlamentares uma chamada de atenção para tão importante problema ecológico e económico. Ninguém se importou com o assunto, talvez tivesse suscitado apenas um sorriso pelo significado popular da palavra caixinha. A única entidade que já manifestou preocupação até esta data foi a Câmara Municipal de S. Domingos, a quem deveria ser concedida aquela reserva e de quem esperamos empenhamento na salvaguarda e recuperação de tão valioso património natural.
Não se entende nem o abandono nem a “queixa” uma vez que o monumento é propriedade da Igreja Católica e esta realizou até obras (construção de um telheiro anexo em blocos) para a celebração da Eucaristia em dias de cerimónia religiosa.
Ficamos com a sensação de que a Diocese aguarda que o Estado, ou melhor, todos os contribuintes paguem as obras de restauro da ermida.
Em boa verdade o único responsável pelo estado de degradação e abandono daquela ermida é a Diocese. Este é um comportamento vulgar da Igreja Católica em muitos lugares: deixar degradar e pensar que pelo facto dos monumentos serem património cultural de todos passar para o Estado a responsabilidade da preservação de tais monumentos à custa do erário público.
Eu não me importo de contribuir para a reconstrução arqueológica daquela ermida e posterior reabertura ao culto religioso e o Estado também não se importará com certeza, mas é à Diocese quem compete a iniciativa, a responsabilidade e a obrigação de reconstruir, preservar e estimar tão importante referência histórica para todos nós.
Sobre o valioso e riquíssimo património natural, já aqui referido, daquele lugar em contraste com a pobreza dos seus habitantes nem uma única palavra. Talvez nem a RTP África nem a Diocese se tenham apercebido ainda do real valor e importância presente da Baía de Nª Senhora da Luz. A tutela? Também não. Por enquanto só os negociantes de areia estão atentos.
Postado por canoa às 09:19
Marcadores: Caixinha, Património
Este bivalve (Caixinha), espécie endémica, vive e reproduz-se aqui neste lugar em muita quantidade muito antes de chegarem os portugueses ou outros navegadores a esta enseada.
A seguir às chuvas reproduz-se também um camarão de sabor ímpar.
Este lugar está abandonado e esquecido mas não pelos negociantes de areia que têm destruído, com a indiferença ou desconhecimento do governo, tão rico património natural.
Ficamos incrédulos como se deixa destruir tanta riqueza no meio de tanta necessidade.
Não se compreende porque razão não são aproveitadas as excelentes condições naturais para o cultivo e exploração deste bivalve tornando-o uma óptima fonte de rendimento para a população local.
Não faltam biólogos competentes aqui e noutros países, não faltam condições naturais que valem muitos milhões de contos, não faltam pessoas para safar da pobreza, não falta mercado de restauração e turismo, não faltam pessoas para decidir. O que falta então? Como sempre, vontade política e talvez um pouco mais de amor à terra.
Postado por canoa às 06:46
Marcadores: Aquacultura, Caixinha
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