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sábado, 18 de setembro de 2010

Belo Djuntamon



Milho, feijão e purgueira (Jatropha curcas).
Quem anda a espalhar a asneira que a produção de biodiesel prejudica o cultivo de alimentos fala por falar, di-lo de má fé ou preza pelo desconhecimento.
A purgueira deveria ser plantada em todos os terrenos porque não atrapalha em nada o cultivo de sequeiro. Pelo contrário traz dois benefícios: fertiliza os terrenos e produz em contra-ciclo com as culturas de sequeiro aumentando a produtividade dos terrenos.
A rainha das plantas em Cabo Verde, a purgueira, é capaz de produzir sementes em qualquer terreno, arável ou entre rochas e penhascos, descampados ou ribeiras. Sem dúvida que produzirá mais nuns do que noutros, mas produz em todos sem incomodar as outras culturas.
Por enquanto ainda é a pobre infeliz de entre as energias renováveis que não merece qualquer atenção. Por enquanto a atenção vai para os painéis foto voltáicos made in estrangeiro, ou melhor, para o negócio de milhões que estes rendem só para alguns eleitos neste paraízo das alternativas. O povo rural está fora do jogo e por isso “pica tabaco”. Por enquanto.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Os Outros Assuntos.




Nesta entrevista, o cientista cabo-verdiano toca, ao de leve mas o suficiente para percebermos muita coisa de dois assuntos para mim da maior importância: a total displicência com que os cabo-verdianos deixam delapidar o património genético da purgueira, este e outros, e o desprezo e abandono a que vetaram esta histórica e preciosa planta, não lhe dando qualquer importância.
De facto, falar de energias renováveis hoje está na moda e é chique. Eólica e foto voltaica são palavras que ficam bem e fazem dos políticos pessoas modernas e futuristas. A meu ver o interesse é grande porque o negócio é muito rentável para poucos, não tenho dúvidas.
Pelo contrário, falar da purgueira é falar do passado e sobretudo tem dois problemas pouco interessantes para a política, o primeiro é que os resultados levam tempo a aparecer e o segundo, é que o negócio tem que ser dividido com o todo o povo rural de Cabo Verde. É só por isso que os políticos, todos, assobiam para ar quando se fala da purgueira (Jatropha curcas) para a produção de uma parte substancial da energia que o País necessita.
O cientista prefere não falar do assunto. Percebe-se porquê.

sábado, 10 de outubro de 2009

Combate À Pobreza?

Eu quero estar engado, mas parece-me que Cabo Verde aposta mais na pobreza do que no seu combate!

domingo, 30 de agosto de 2009

Combustíveis (Fósseis) Mais Caros. Que Pena!


A Semana On Line e o Expresso das Ilhas (On Line), não comentam. O tempo está bom, o pincho (ou pinxo, ou pintcho, tanto faz) está sabi. Óh que sabi! Alguém há-de pagar o custo da energia enquanto forem os outros a produzir e se ninguém pagar, mil perdões cairão do céu de quem tem a exclusiva e "ancestral" culpa de trinta décadas de pobreza. Ser pobre é um nobre estatuto histórico, um património legado do qual nunca nos devemos libertar. Como é difícil viver livre e independente! Eles não sabem nem sonham...

sábado, 29 de agosto de 2009

Forte Culpa.


Lá se vão os tostões poupados. E, claro, mesmo não sendo adivinho já sei que no próximo ano vamos receber aquela cartinha da casa grande a informar que o valor da conta do combustível não foi aceite por não ser "razoável". A nossa vida é tentar escapar!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Só Para Lembrar.

(Jornal A Semana)

Se o regresso da rainha cabo-verdiana não significar mobilização nacional para a recuperação de solos abandonados, interdição da exportação de sementes, produção de biodiesel e liberalização do seu consumo, maior rendimento para a economia familiar rural e aproveitar esse grande recurso para programas de saúde e educação, pois é melhor ficar tudo como está.
Produzir e exportar sementes de Purgueira e depois continuar a importar todo o combustível para produzir energia deixando que a mais valia saia pelos nossos portos só mesmo uma política económica e ambiental desastrosas poderia permitir tamanho erro apoiada por interesses pouco escrupulosos.
A Purgueira é a grande oportunidade de Cabo Verde melhorar, viabilizar e aumentar a sua produção agrícola em todas as áreas até na fertilização natural dos terrenos e expansão de uma agricultura biológica para exportação.
Basta os governantes e deputados quererem um País melhor e mais verde.

sábado, 13 de junho de 2009

Purgueira

O que se discute no Brasil. Por cá estamos em campanha política, não há tempo para essas coisas.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Notícia Boa E Má

Por um lado esta é uma boa notícia porque apesar da timidez já se começa a ouvir um leve ruído sobre uma das maiores potencialidades que o País tem para reduzir a pobreza, fixar pessoas no campo, criar inúmeras pequenas empresas para refinação de biodiesel e poupar dinheiro na importação de combustível, dinheiro esse que pode servir para a educação e para a saúde.
A má notícia que o artigo deixa transparecer é a forma como o governo “olha” para a purgueira. Depois de um século em que Cabo Verde foi um dos maiores produtores mundiais de sementes de Jatropha, depois de já existirem centenas de estudos e experiências de sucesso por toda a parte do Brasil à China que dão como comprovada a enorme vantagem na qualidade e eficiência em relação a todos os outros óleos alimentares, mesmo assim lá vem as parcerias, os estudos e, claro, depois os worksohps, os ateliers e muitos gabinetes como se estivessem descobrir a pólvora.
Na realidade, o que menos falta faz a Cabo Verde, neste particular, são parcerias com multinacionais. O que faz mesmo falta é o Governo legislar sobre a matéria, os deputados discutirem, mobilizar os camponeses e a criatividade dos cabo-verdianos e, não menos importante, que os jornalistas também se interessem para além da mera notícia.
A Jatropha curcas, a velha rainha purgueira não é uma planta do passado de Cabo Verde. É uma planta do futuro de Cabo Verde.

domingo, 29 de março de 2009

Ver A Banda Passar

(Jatropha curcas - Salineiro - Santiago)

"Ferro Ribeiro explicou que o centro de investigação tem "como ponto de referência histórica um dado que não é muito divulgado, mas que é de grande interesse", que é o facto de Cabo Verde ter sido no início do século passado um grande produtor e exportador de jatrofa para França e Portugal. (...) Ainda na área dos biocombustíveis com recurso ao aproveitamento da jatrofa, Jorge Ferro Ribeiro, parceiro do magnata Stanley Ho na Geocapital, explicou que a plantação desta espécie vegetal na Guiné-Bissau e em Moçambique deverá ser iniciada no final de 2009 ou início de 2010, acção que permitirá iniciar a produção de biocombustível "em dois ou três anos". "

Como sempre o País está de plateia à espera que alguém faça as coisas por ele. Um paradigma bem na moda e bem ao gosto de quem se contenta com “parcerias estratégicas”, isto é, as sobras. A cultura rabidante do “Deus é pai” tem tomado conta dos espíritos dirigentes que, por isso, não vêm qualquer interesse em tomar a iniciativa e o trabalho de reduzir a dependência energética. Mais tarde ou mais cedo alguém de fora há-de chegar com esse negócio e o costumado propósito solidário em ajudar e, claro, deixar umas sobras.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Vão-se Os Anéis Ficam Os Dedos!

(Clique na imagem para ampliar)
Esta notícia no Jornal A Semana assinada por Nicolau Centeio deveria ser encarada com preocupação, mas apesar de bem feita não tem esse efeito. Pelo contrário, até os presidentes de câmaras acham que o interesse de uma empresa europeia e outra americana, por enquanto, pelo óleo de Purgueira é motivo de regozijo e desenvolvimento para Cabo Verde.
Só o desprezo, ou talvez desconhecimento, pela História do País e pelo que se passa no mundo em matéria de energia e energias renováveis é que pode deslumbrar, edis, governo, oposição e algum “tecido” empresarial sempre de atalaia nas saborosas parcerias estratégicas.
De facto, deixar embarcar o óleo de Purga e ficar com as cascas só mesmo de quem não bate bem da cabeça em termos políticos, estratégicos para o desenvolvimento sustentado e independência económica do País.
Imagino a retórica vendida pelos representantes dessas empresas sobre o biodiesel, refinarias, aquecimento global e tantas outras tolices como se de uma complicada tecnologia se tratasse. O pessoal embarca nesse discurso predador esquecendo que o mais importante é o biodiesel para produzir energia e que para produzir biodiesel qualquer cabo-verdiano ou cabo-verdiana mesmo não sabendo ler ou escrever o pode fazer no barracão do quintal, na garagem ou em qualquer sítio arejado.
Os presidentes de câmaras, deputados, governo, oposição e “tecido” empresarial ainda não se deram contam, ou não querem, do gigantesco potencial que Cabo Verde tem, e sempre teve, para a produção de biodiesel. Potencial que poderia dar bom rendimento em dinheiro e uma vida melhor a muitos milhares de cabo-verdianos.
O endémico provincianismo que tolda a capacidade de iniciativa cabo-verdiana e deslumbra poderes, acomodados, com algumas ideias que dão à costa tem apenas como resultado ficarmos com as cascas e deixar que levem o óleo, isto no caso da Purgueira, mas nas pescas é a mesma coisa, levam o peixe e fica o mar, no turismo levam o dinheiro e deixam o lixo.
Cabo Verde tem que preservar melhor e com orgulho os seus anéis porque as gerações futuras vão precisar deles. Os tempos são de iniciativa por que se adivinham tempos muito difíceis para os mais fracos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Queixas Antigas, Perguntas Actuais




(Clique nas imagens para aumentar)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Muito Boas!

Muito boas, muito boas!
Dizia o meu pai por troça há muitos anos sempre que alguém perguntava: e notícias do seu rapaz?
Muito boas, muito boas! Diria eu hoje se alguém me perguntasse notícias sobre o interesse pela Jatropha – o Ouro Verde que oficialmente Cabo Verde teima ignorar não considerando que este é um gigantesco recurso no combate à pobreza, mil vezes mais eficaz que o paternalismo do Banco Mundial e outras instituições tão ao gosto e interesses de uma nova classe de escuteiros da pobreza.
Em Cabo Verde fala-se ainda em surdina, ao de leve e de esgueira como o fez recentemente o Ministro da agricultura e de vários outros gabinetes. Em Cabo Verde este não é um assunto que interesse ao governo e à oposição que tarda em retirar-lhe o “o” da palavra. Mas pelo mundo, da grande China, à Índia, Brasil, Américas e tantos outros, muitos milhões de hectares de Jatropha (purgueira) estão neste momento a ser plantados, sem serem necessários workshops, encontros e ateliers.
Mas tem-se falado aqui e acolá. A Impressa refere um possível interesse e muitas já são as pessoas que riem menos quando se fala em purgueira. E há quem não perca tempo e já tenha uma boa plantação. E até há boatos que correm e ditos que são verdade e por isso é ver algumas dezenas de mulheres – sempre elas à frente – pelas ribeiras catando sementes sem preço nem referências mas antecipando a boa nova de menos pobreza que o Ouro Verde pode trazer.
Por isso as notícias não deixam de ser muito boas, muito boas!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Muitas Nozes, Poucos Dentes.

Já foram 100 ha de purgueiral em Salineiro, Ilha de Santiago. A plantação tinha como objectivo "alimentar" uma cooperativa local para a produção de sabão. À semelhança de todas as outras cooperativas pensadas pelos governos, esta também não deu certo. Como a plantação acabou por não servir para nada a população vai utilizando as árvores próximas da estrada como lenha para o fogão. As outras lá longe continuam intactas e todas elas muito floridas e algumas já com muitos frutos nesta época. Enfim... nozes a quem não tem dentes. O que o País gosta mesmo é de pobreza, quero dizer, a minoria que governa e a outra que não está por enquanto no governo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Purgueira - O Ouro Verde

"Estrela mundial, planta pode ser a tão sonhada redenção do semi-árido e alternativa à soja"

Cabo Verde que já foi um dos maiores produtores mundiais de sementes de Purgueira com produções, de certeza, acima das 10 mil toneladas por ano (sem planificação adequada), está à espera de quê?
Que mais quer o País para reduzir a pobreza, a dependência energética, fixar pessoas no campo e empurrar a sua economia?
Até quando este faz de conta que a natureza é madrasta?
Até quando viver apenas dessa ajudodependência doentia que tolda a imaginação e o orgulho por uma independência criadora de riqueza?
Talvez um dia destes. Atrás dos tempos vêm tempos.



sexta-feira, 6 de junho de 2008

Sim, Senhor Primeiro-ministro.

“Conforme disse, o mundo está a atravessar uma "profunda crise" nos domínios dos combustíveis, com os preços a atingiram "níveis insuportáveis", sobretudo para as pequenas economias, como Cabo Verde. "Por isso, todo os cabo-verdianos devem estar preparados. Há uma outra crise em gestação que é o aumento dos preços dos cereais", indicou.”
O que faz calafrios não são as frases. Basta mudar o nome do país e elas podem ser pronunciadas por qualquer primeiro-ministro. O discurso também é global, não é só a crise. O que faz arrepiar é que não se apontem soluções, não se mobilize o País. Quem parece não estar muito preparado para este campeonato é o governo. Já é tempo de arregaçar as mangas. Já estamos atrasados. Há discursos que precisam mesmo de dar a volta ao texto e... contar espingardas!

Jatropha curcas - o pequeno milagre que poderia ajudar Cabo Verde com milhões de litros de biodiesel e ajudar milhares de pobres a ficar menos pobres.

(para fazer ou ler um comentário clique no título, não sei porquê)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Boa Ideia!



Uma solução que vamos adoptar na fábrica BOMMAR do Porto Mosquito.
(Via grupo Sextante)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

As Contas Da Fortuna

Estão feitas. É o que se lê aqui. Já em 2009 (no ano que vem) as energias renováveis representarão 18% da produção energética do país. A isto chama-se andar depressa, tão depressa quanto ágeis a fazer contas devem ter sido aqueles que lucrarão pela frente e por detrás com negócios desta envergadura.
Todas as energias renováveis são excelentes apostas para Cabo Verde. Mas a maior aposta seria a definição dum modelo que mobilizasse a sociedade, os investigadores e os agentes económicos cabo-verdianos na redução da dependência dos combustíveis fósseis.
Mais importante do que nos preocuparmos em satisfazer o consumo desmesurado de energia que a indústria do turismo faz, seria talvez mais ajuizado definir a bitola a partir da qual a indústria turística tem por obrigação produzir energia como parte do que consome.
Mais importante do que o gigantismo dos parques eólicos seria mobilizar os cabo-verdianos para o estatuto de produtores e não apenas consumidores, democratizar a produção de energias alternativas para que as pessoas sintam o benefício directo que as energias renováveis podem trazer. Não sendo assim, apenas ganha o Estado que, vendo a factura dos combustíveis fósseis diminuir ficará com mais dinheiro para esbanjar nas suas despesas e ganharão seguramente os comerciantes de ventoinhas e fotovoltaicos.
Este menosprezo – não sei se intencional – pela capacidade dos cabo-verdianos em serem eles próprios os actores na renovação das energias, faz com que os governantes se esqueçam do papel preponderante que pode ter por ex. o mundo rural na produção de energia e diminuição da pobreza.
São dezenas de milhar de hectares que ocupados com Jatropha curcas podem ajudar a diminuir a dependência dos combustíveis fósseis e garantir um sustento familiar rural mais eficaz do que qualquer outro paternal “programa de combate à pobreza”.
Se o negócio da energia for apenas substituir a forma de produzir deixando de fora a criatividade e a capacidade do povo cabo-verdiano ficando dependente de uma qualquer multinacional, mais vale optar pela energia nuclear. É de longe mais eficaz.

quarta-feira, 26 de março de 2008

À Meia-noite Em Ponto, Sem Falta.


E sem discussão aumentaram os combustíveis. Nem é preciso apostar ou jurar para garantir que a frequência desse nocturno evento vai aumentar para que os por cento pareçam pouco. A medida é eficiente porque não tendo o governo culpa que o mercado do petróleo seja tão ingrato, dá a entender que faz tudo por tudo para que a coisa não doa muito. Pelas esplanadas, praças, cafés e mesmo até na imprensa a discussão não passa de pobres lamentos e acutilantes indignações. Ao governo e aos digníssimos deputados não se deveria exigir muita ou pouca discussão sobre o aumento dos combustíveis mas uma grande mobilização em torno das energias renováveis. Por enquanto ainda vai havendo combustível para aumentar, quando houver menos a discussão corre o risco de se tornar perigosa. Muito perigosa e sem sentido.